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riscos_e_rabiscos

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Uma má notícia... - The reason.

 

A razão que me levou a escrever este post, é o que vai servir de mote para o texto de hoje. É um assunto que mexe profundamente comigo, como irão perceber, e sobre o qual tenho imensa dificuldade em falar/escrever.

 

Quem já me acompanha há algum tempo, sabe que eu trabalhava em 3 colégios particulares: o galinheiro, a pinguinolândia e a escola. No primeiro recusei-me a continuar a trabalhar porque não me pagavam o ordenado. Fiquei apenas com dois.

 

Eu estava em férias quando a minha mãe me telefona a dizer que recebi uma carta da pinguinolândia. Achei aquilo tão estranho, que pedi à minha mãe para abrir a carta e ler. E foi aí que rebentou a bomba: precindiram dos meus serviços sem qualquer tipo de justificação. Foi assim, a seco.

Eu fiquei em choque e senti-me a ruborizar de indignação, com o sangue a ferver-me nas veias. Mas não chorei. Em vez disso, respirei fundo e pus o cérebro a funcionar para arranjar alternativas que me permitissem ganhar alguns trocos. Afinal, tinha perdido mais de metade do meu ordenado mensal.

 

O que me assaltou logo a mente foram as contas para pagar, o não deixar cair este peso monumental nas costas do N.. O resto são pequenos luxos. Se não tiver dinheiro para comprar umas botas ou uns sapatos novos para o inverno, não faz mal. Mesmo que os velhos deixem entrar a água da chuva e me encharquem os pés.

 

Esta situação foi completamente inesperada e nada a fazia prever. Sempre fui uma pessoa assídua, trabalhadora, os pais e as crianças gostavam de mim, as notas eram boas, nunca originei intriguices ou conflitos e muito menos confrontes vossas exas. pinguins, apesar de muitas vezes elas o terem merecido.

Se vocês me perguntarem se eu fui saber o motivo, respondo já que não, que nem sequer valia a pena. Não chegava já este duro golpe? Valia a pena ser enxovalhada por aquelas bocas podres e mentirosas? Se eu lá fosse, não me recebiam e se eu ligasse para elas, nem me atendiam!

 

Mas eu digo-vos o motivo. Quem me colocou lá foi uma ex-colega minha, a quem elas, de início, amavam de paixão mas que depois passaram a odiar de morte. E foi de tal maneira, que correram  (é este mesmo o termo) com ela, sem dó nem piedade. Mais uma vez sem ninguém saber o motivo.

Quando ela saiu, fizeram-me um grande inquérito acerca da minha "relação" com ela, de seguida ameaçaram-me e puseram a guilhotina a pairar sobre a minha cabeça: caso contasse alguma coisa, por mais pequena que fosse, à minha colega, deixaria de lá dar aulas também.

Que fazer perante isto quando nós precisamos tanto?

 

Este ano eu iria ficar com a turma da Santinha porque esta teve bebé. E isto estava a consumir as pinguins ao máximo, dai optarem pela opção mais fácil. Adiante.

Agora reparem, quando eu fui para lá, fui substituir a Santinha que deu lá dois meses de aulas e depois lhes deu com os pés. Havia imensas queixas dela e os pais não gostavam nada dela.

Como as pinguins não sabem fazer mais nada senão lixar os outros, fizeram a vida negra a uma colega até ela sair de lá. E foi nessa altura que a Santinha voltou ao "terreno".

Para que não voltasse a haver comparações entre mim e a Santinha, nunca me foi dada a turma dela. Obviamente que todos perceberam o motivo.

 

Estes são alguns dos motivos mesquinhos possíveis e prováveis para a minha conveniente saída: a transferência do ódio que tinham à minha ex-colega para mim e a possível hipótese de haver comparações entre mim e a Santinha, sabendo elas que eu era melhor. E isto não é para me gabar porque não sou desse tipo, vocês sabem. Motivos de gente mesquinha.

 

E foi do medo e desespero que vivo o meu dia-a-dia, decorrente desta situação, que comecei a desenvolver as linhas mestras do PROJECTO* na minha cabeça...

 

* Mais à frente conto o que é isto do "PROJECTO".

Ok... Podem Internar-me!

 

Saí da escola já de noite. Desci a rua, sentei-me no banco da paragem para esperar alguns vinte minutos ou mais pelo autocarro, alapei as coisas e comecei a observar o ambiente. Mais uma vez cheguei à conclusão de que a crise é mesmo só para alguns pois a quantidade de carros na rua é enorme, mais do que o habitual (viva a Nossa Senhora da Gasolina!), admirei os enfeites urbanos natalícios (ao menos uma vez no ano pagamos para ter algumas ruas bem iluminadas e ver alguma coisinha à frente do nariz), e desesperi ao ver o pessoal da paragem do outro lado da rua a desaparecer rapidamente e eu a ficar ali sozinha e abandonada...

 

Olhei para o relógio de minuto a minuto, em desespero, até que avistei o "autocarro". Toda feliz e contente porque ia para casa e ia fugir do frio momentaneamente, estico o braço para fazer sinal...

 

Toiiiimmm! Qual autocarro, qual quê... era um CAMIÃO!!! :(((

Numa rua pouco iluminada, aqui a "je" toldada pelo desespero e pitosga, vê um veículo com uma faixa de luz no topo tipo autocarro, e faróis também iguais aos dos autocarros e... Pimba! Será que era vocês também fariam o mesmo? Ou fui eu que pifei de vez?! Acho que a última hipótese é a mais correcta... {#emotions_dlg.nostalgic}

 

 

 

P.S. - Prometo que, logo à noite, senão apanhar boleia de algum camião enganador (lol), respondo a todos os vossos comentários e vou até aos vossos cantinhos. Sei que estou em falta com vocês. Chuacs!

 

Um Problema Na Sombra

              

 

Há alturas na vida em que nos apetece ardentemente desaparecer, esvair-se em fumo. Desaparecer com um simples estalar de dedos. E não é por cobardia ou incapacidade de enfrentar os problemas. Não. É tão simplesmente porque existem alguns problemas para os quais todas as soluções do mundo não servem para resolvê-los. Parece não existir um antídoto para eles, uma solução.

 

Como se resolve este tipo de problemas? Como se resolve um problema que quanto mais se combate, mais parece que se agiganta? É quase impossível conseguir-se viver com tranquilidade de espírito por mais que se ignore e evite o problema. É quase impossível viver-se sem que esse mesmo problema não invada a nossa mente, despoletado por pequenas coisas do quotidiano.

 

E esse problema é tão incisivo e exasperante que, por vezes, parece conseguir fazer com que o nosso organismo crie anti-corpos contra nós mesmos, que nos provoque uma urticária que nos faça sentir no inferno, que nos escave um buraco nas entranhas como se fosse o maior dos fossos.

 

E por mais que este problema esmague alguém, o humilhe e o estraça-lhe, acaba sempre por o atrair para o seu ponto centrífugo. Apenas porque se quer. Apenas porque não queremos saber dos outros, dos que nos amam realmente. Apenas porque continuamos ingénuos, e de ser levados com duas cantigas. E assim, não há qualquer resolução para o caso.

 

Resta-me apenas sentar, esperar desesperando que um raio de sol me ilumine e dê a mão...